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mar 10

Somos Muitas

Fotógrafas Brasileiras se juntam para registrar a história

Por Gabriele Pereira

                  Foto Júlio Cesar Guimarães

O movimento Fotógrafas Brasileiras surgiu a partir de um desejo da fotojornalista Wania Corredo de juntar mulheres ligadas à fotografia no Brasil. A carioca formou o grupo e convocou pelas redes sociais no dia 6 de novembro de 2016, a primeira reunião que juntou 137 mulheres em uma única foto na escadaria do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O registro histórico foi feito pelo fotógrafo Júlio Cesar Guimarães.

 

Desde então, o projeto vem ganhando força. A idealizadora do movimento explica que inicialmente era apenas para que pudessem conversar e manter contato; porém durante esses quatro meses as pessoas começaram a interagir, trocar ideias. E no dia Internacional da Mulher, que ocorreu nesta quarta feira, 8 de março, as Fotógrafas Brasileiras se reuniram novamente para lançar seu site, com intuito de resgatar a história da fotografia feminina, montar projetos, participar de festivais e exposições. O site também carrega um propósito de visibilidade, participação e integração para as profissionais dos principais pontos do Brasil a regiões do interior que não tem o mesmo alcance.

 

A importância da união dessas fotógrafas foi tão significativa que deu origem na criação da “Associação Brasileira das Mulheres da Imagem” pela fotógrafa Marizilda Cruppe. O próximo projeto é o lançamento de um livro coletivo, que ainda está sendo debatido pelo grupo e também a participação no FotoRio, onde elas vão poder contar a história da foto e das pessoas que participaram desse primeiro encontro.

A Fotojornalista Wania Corredo Foto: Noelia Albuquerque

Com quase 30 anos de carreira a fotojornalista Wania Corredo afirma que o mercado para as mulheres dentro da fotografia ainda é muito restrita e que as equipes femininas são reduzidas em todos os lugares e exemplifica algumas coisas como salários menores, ter filhos e dividir os horários entre a família e o trabalho. Porém, não é uma luta só das fotógrafas é uma luta de todas as classes trabalhistas.

Apesar de o movimento ter um trajeto voltado para o trabalho das mulheres, Wania avalia que nesse momento não consegue ver o projeto como sendo feminista ou uma luta de classes, mas afirma que não dá para desconectar nenhum dos dois. E ainda completa “Eu vejo profissionais, amadoras, pessoas apaixonadas por fotografia conversando e criando esse projeto ainda, com várias ideologias, com mulheres diferentes, pensamentos diferentes trocando ideias. Não gastamos um real para produzir nada, está tudo sendo estipulado assim: cada um faz a sua camiseta, uma delas fez o site, a outra está colaborando com a fanpage, as outras estão se organizando. Tudo de forma, absolutamente, colaborativa e com vontade, realmente, de fazer com que esse movimento se estabeleça”.

 

Érica Ramalho durante a    Marcha    das Fotógrafas    Brasileiras Foto:      Marcia Costa

Perguntada sobre a real importância do movimento, a fotojornalista Érica Ramalho declara: “Unificação, troca de informação, troca de saberes, conhecer o trabalho do Brasil inteiro. Somos muitas, a gente sabe pouco e estamos num movimento de conhecer a história das fotógrafas brasileiras. Quando isso começou no Rio de Janeiro? Quem foi à primeira fotógrafa? Então tudo isso eu penso encontrar nesse grupo”.

 

Fotógrafas Brasileiras é muito mais que um manifesto de cultura, argumento e diversidade, o projeto busca o que veio antes e produz o que ainda pode vir.

Ao final da Marcha, na Praça XV, foi feita uma projeção com fotografias feitas pelas integrantes do Grupo, com o tema mulher.

Projeção fotográfica, com tema Mulher na                       Praça XV Foto: Marcia Costa

Grupo de fotógrafas antes da Marcha Foto:                     Regina Magalhães

 Wania Corredo e Fabrizia Granatieri durante a                 Marcha Foto: Marcia Costa

 

 Início da Marcha na Candelária Foto: Nana                     Tavares