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nov 10

A banalização do trabalho fotográfico

Por: Marcia Costa*

      Ensaios por 100 reais. Acompanhamentos de bebês por R$29,90. Cobertura de casamento e 15 anos por 300 reais. Opções de entrega variada: editada ou não, no CD, por email, inclusive por  Whatsapp, é só escolher.  O que está acontecendo com os profissionais de fotografia, para cobrarem valores tão irrisórios por seus serviços?

Pensando bem: será que são profissionais? Será que estudaram fotografia? Será que sabem configurar o equipamento? Sabem o que é fotometria, profundidade de campo, pra que serve o Balanço de Branco? Usam modo de ajuste manual, dominam a câmera?  Ou são apertadores de botão?

Com o avanço da tecnologia e a facilidade de compra de equipamentos fotográficos, custos mais baixos para produção de fotografias (não temos a limitação do filme, revelação, é possível corrigir uma foto feita errada na edição) hoje todo mundo é fotógrafo.  Se tiver uma câmera, vai fazer bico de fotógrafo.  Nada contra a quem tem a fotografia como um ganho  extra. Muitos começam assim, mas, por favor, cobrem um valor justo pelo serviço.

Fico pensando se essas pessoas já fizeram as contas do custo para se colocar um equipamento na rua para realizar um trabalho fotográfico.  Que está desvalorizando a arte fotográfica.  Que prejudica aos que estudaram (não assistiram uma vídeo aula de 30 minutos e se declararam fotógrafos), investiram em equipamentos, e não é pouco o investimento.  Pois o profissional de verdade (aquele que estudou em bons cursos presenciais e com muita prática,  se preparou para executar tal profissão, compra livros pra se atualizar),  sabe que para trabalhar é necessário ter no mínimo 2 corpos de câmera, flashes, conjuntos de objetivas, filtros, fazer  manutenção do equipamento,  ter seguro, fundo de reserva para up grade  e, principalmente lucro! E tudo isso se faz como? Com o valor  cobrado. Como alguém que cobra 100 reais em um ensaio fotográfico externo, com duas trocas de roupa, consegue tudo isso?  Não o faz! Não há condições.

Porém o problema não é apenas de quem cobra, mas também, de quem contrata esse tipo de “profissional”. Por isso a fotografia, muitas vezes é desvalorizada, desmerecida.  Por conta disso, há muitos processos e pessoas reclamando de fotógrafos. Há inúmeros casos de pessoas que não receberam os serviços contratados ou não ficaram satisfeitos com o que receberam, pois não contrataram um profissional qualificado! Foram apenas pelo preço.   Existem casos de gente utilizando fotos de outros, para vender seu peixe, receber o dinheiro e não entregar o serviço ou entregar um trabalho de péssima qualidade. São os maus caráteres que existem em todas as profissões, infelizmente.

Eu pergunto a você que é ou se diz fotógrafo: como você é profissionalmente? Estudou?  Tem uma boa prática no que vai oferecer? Já tem condições de efetuar certos trabalhos como primeiro fotógrafo? Ou precisa praticar mais?  Faz contrato de serviço para se calçar de qualquer eventualidade? O bom profissional tem contrato por garantia do serviço contratado e entregue.

E o contratante? Está preocupado somente com o preço ou com a qualidade e referências do profissional contratado?  Isso é muito importante. Fotografia é pra vida toda, por isso é importante guardar seu momentos especiais, feitos por um profissional qualificado, mesmo que seja  mais caro do que o anúncio que você viu nas redes sócias, prometendo fotos lindas!

 

*Marcia Costa: Fotógrafa,  Empreendedora,  Especialista em Artes Visuais e Graduada em Fotografia. Atuante  na área há mais de 15 anos, é  Repórter Fotográfica na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro,  Ministra as disciplinas de Introdução a Fotografia, Fotojornalismo, Photoshop e  Fotodocumentário na Faculdade Pinheiro Guimarães/RJ e é diretora e professora do Grande Angular Curso de Fotografia/RJ